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Emendas PIX: PF faz operação em quatro estados para apurar uso irregular de recursos públicos

Operação da PF mira irregularidades em emendas PIX A Polícia Federal (PF) cumpre nesta sexta-feira (3) 41 mandados de busca e apreensão em Roraima, na Bahia, em São Paulo e em Tocantins em uma operação que apura irregularidades na aplicação de "emendas PIX" — que são recursos públicos federais fruto de emendas parlamentares de transferência especial. 💲Emendas inpiduais de transferência especial, ou emendas PIX, foram criadas em 2019 e ficaram conhecidas assim pela dificuldade na fiscalização dos recursos, uma vez que os valores são transferidos por parlamentares diretamente para estados ou municípios sem a necessidade de apresentação de projeto, convênio ou justificativa – por isso, não há como fiscalizar qual função o dinheiro terá na ponta. De acordo com as decisões que autorizou a operação, a suspeita é de irregularidades no uso de R$ 145 milhões em "emendas PIX" — R$ 55,7 milhões em Iracema e R$ 89,4 milhões em São Luiz (leia mais abaixo). 1 de 4 Dinheiro apreendido durante operação Acesso Negado. — Foto: Polícia Federal/Divulgação Durante as buscas, os policiais apreenderam dinheiro em espécie em uma mochila, dentro de um carro, mas não deram detalhes sobre valores e onde foi apreensão (veja foto abaixo). Fontes ligadas às investigações, contudo, estimam que, até o momento, tenham sido apreendidos pelos policiais algo em torno de R$ 230 mil. São Luiz do Anauá é a menor cidade do estado e já foi a que mais recebeu emenda por habitante — a maioria emendas PIX. Apesar disso, ex-prefeito deixou a cidade, na virada de 2024 para 2025, em calamidade financeira, pois não tinha caixa para pagar salários de servidores nem fornecedores da prefeitura. RELEMBRE: Duas cidades de Roraima estão entre as piores do Brasil em transparência no uso de emendas PIX 3 de 4 Policiais fazem buscas durante operação Acesso Negado. — Foto: Polícia Federal/Divulgação Segundo a PF, as apurações tiveram origem em auditorias realizadas pela Controladoria-Geral da União (CGU), determinadas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) no âmbito de uma Ação Direta de Inconstitucionalidade proposta pela Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji), que questiona a constitucionalidade das emendas PIX. Ainda de acordo com os investigadores, foram identificados indícios de irregularidades relacionadas ao planejamento, à execução, à fiscalização e à transparência na aplicação dos recursos públicos recebidos pelos municípios investigados. Interlocutores da PF dizem que os alvos da operação desta sexta são gestores municipais, empresas e empresários, por obras não executadas, mal executadas, e superfaturadas e que não há parlamentar nessa fase da operação. As decisões que autorizou a operação confirmam a informação. 4 de 4 Portal na entrada do perímetro urbano de São Luiz; obras estão paradas — Foto: Raquel Maia/Rede Amazônica Os mandados de busca e apreensão foram autorizados pelo ministro do STF Flávio Dino, relator da ação sobre as emendas. Nas decisões, Dino cita seis parlamentares e oito emendas sob investigação. Contudo, pondera quanto aos mandados: "não há, por ora, pedido cautelar especificamente voltado contra deputados federais ou senadores" Em setembro do ano passado, o ministro determinou a suspensão do repasse das emendas PIX a nove municípios, incluindo os dois alvos das ações da PF. Na ocasião, o ministro justificou a inclusão de São Luiz na lista de cidades barradas por receber mais de R$ 103 milhões em emendas parlamentares federais e estaduais em quatro anos e por acumular obras não finalizadas. Em Iracema, Dino considerou "objetos executados fora das especificações técnicas". Estão sendo investigados os seguintes crimes: contra a Administração Pública;fraude em licitações e contratos administrativos;peculato;corrupção; lavagem de dinheiro. Menor cidade de Roraima vive caos econômico O relatório da Controladoria sobre o município de São Luiz do Anauá aponta que obras e contratações — fruto de três emendas parlamentares — estão paralisadas. Menciona também que as compras feitas com esses recursos não foram registradas no Portal Nacional de Contratações Públicas (PNCP), o que contraria a Lei de Diretrizes Orçamentárias. "No campo da transparência e do controle, a prefeitura não inseriu os relatórios de gestão na plataforma Transferegov.br", diz um trecho do documento. "Também foi identificado o uso de mais de uma conta bancária para movimentar os recursos, o que dificulta o rastreamento do dinheiro público", prossegue. O relatório também pontua que o Portal da Transparência do município não apresenta informações sobre as emendas, e que o e-mail do Poder Legislativo não foi cadastrado na plataforma
03/07/2026 (00:00)
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