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Aras vem passando nos testes de Bolsonaro para assumir vaga no STF

O aceno de Jair Bolsonaro com uma vaga no Supremo Tribunal Federal para Augusto Aras só pegou de surpresa quem não acompanhou o processo de escolha de Aras para comandar a Procuradoria-Geral da Republica. A família Bolsonaro testa seus auxiliares e candidatos a novos desafios sempre que pode. E deixa claro que, assim como queria mudanças na Polícia Federal e na Procuradoria-Geral da República, não vê a hora de dar a sua cara aos indicados para o Supremo Tribunal Federal. Mas precisa esperar as vagas abrirem, começando em novembro próximo, com a aposentadoria do ministro Celso de Mello. Desde sempre, o governo deixa claro que vai levar o prêmio "Supremo" o candidato que cumprir à risca os requisitos para, primeiro, ocupar o cargo "trampolim" (PGR, Ministério da Justiça), e, em seguida, uma vaga na corte. Sergio Moro, por exemplo, não passou no teste: estava indo bem no quesito emprestar prestígio para a bandeira do combate à corrupção que ajudou a eleger Bolsonaro, mas o ex-ministro recusou-se a atender pedidos do presidente. Como explicou depois o ex-ministro, os pleitos tratavam de interferências políticas para blindar a família Bolsonaro e amigos de investigações. O caso está em apuração no STF. No caso da PGR, a família Bolsonaro deixou claro desde o começo o perfil ideal para a sucessão de Raquel Dodge. "Acho que vai ser uma das decisões mais importantes que o presidente vai tomar, porque o MP, como fiscal da lei, pode interferir em persas áreas que, para nós, são importantes que não sejam dominadas por pessoas ideologicamente que são contra ao que a gente pensa. Eu estou dizendo o seguinte, no meio ambiente, na segurança pública e numa série de outras áreas que a gente acha, a gente sabe, e esse foi o projeto vitorioso na urnas, a gente sabe que tem que mudar em relação ao que estava no passado, a gente vai ter no MP pessoas que vão compreender não o resultado da eleição apenas, vão agir dentro da lei, vão agir sem viés ideológico. Então, independentemente de quem seja aquele escolhido pelo presidente, eu acho que tem que ter essa sintonia, porque a gente não pode parar o Brasil, a gente não pode ter alguns dentro do Ministério Público atuando como se fossem ali uns inimigos políticos nossos". A explicação é do senador Flavio Bolsonaro, dada ao programa "Em Foco com Andréia Sadi, na GloboNews (a íntegra na GloboNews Play). Flávio, que está na mira das investigações envolvendo Queiroz e as rachadinhas, participou da escolha de Aras para a PGR. A entrevista foi gravada em agosto de 2019, portanto, semanas antes de Aras ser oficializado para comandar a PGR. Aras sabia exatamente qual era a ideia do governo Bolsonaro para comandar a PGR. E se moldou à vaga. Fora do radar do governo, por não estar na lista tríplice do MP, pediu ao amigo Alberto Fraga para ser apresentado a Bolsonaro. "Você não é amigo do Bolsonaro? Me apresenta para ele", pediu Aras ao ex-deputado Fraga, amigo pessoal de Bolsonaro. Fraga levou Aras, e o encontro com Bolsonaro aconteceu na biblioteca do Palácio da Alvorada. Apresentou-se como conservador nos costumes e liberal na economia. Bolsonaro gostou do que ouviu, e devolveu, usando um palavrão, aqui substituído por uma fruta: "Você sabe que pode pegar um grande abacaxi". Aras sorriu, e disse a Bolsonaro que, se fosse escolhido PGR, tomaria decisões com a Constituição numa mão, a bandeira do Brasil na outra e, se tivesse uma terceira mão, seguraria uma Bíblia. Música para os ouvidos de Bolsonaro. Aras ganhara o Planalto, mas provocou um terremoto no MP: sua escolha acabaria com a tradição da lista tríplice. Hoje, procuradores afirmam ao blog que consideram isso o menor dos problemas: acusam Aras de tomar decisões alinhadas ao Palácio do Planalto, para agradar ao presidente e, com isso, "acaba desmoralizando" o Ministério Público em prol de uma "agenda pessoal": a da família Bolsonaro e a de Aras, com a possível indicação ao STF. Já Aras, quando perguntado por interlocutores sobre as pressões que sofre no MP para tomar decisões mais enérgicas contra o presidente, minimiza críticas e atribui acusações a investigações de eventuais "fraudes" na composição da lista tríplice. Afirma aos aliados que acabou com o que procuradores estavam acostumados e, por isso, seria alvo de colegas da corporação. Sobre insinuações de que está alinhado com Bolsonaro, repete Aras, nos bastidores, que ele não é como seus antecessores, referindo- se Rodrigo Janot, por exemplo, que denunciou o ex-presidente Temer no caso JBS e, depois, foi alvo de questionamentos. Aras parece se não se abalar com pressões internas. Calmo, diz a membros de sua equipe: "Pressão? A única coisa que tira meu sono é se eu sair da Constituição. Não saio do meu roteiro. A Constituição me dá paz". Para investigadores da Lava Jato, Aras se comporta como "advogado" do presidente, e representa a primeira intervenção política do presidente nas instituições que comandam investigações. O comentário, de uma das fontes que acompanha o inquérito Bolsonaro x Moro, irrita fontes do Planalto. Afirmam que Aras coloca "freios" nos ministros do STF que "querem perseguir" o presidente e seus familiares. E que, quando sinaliza a vaga ao STF a Aras, é porque quer mudar o "perfil" da composição da corte. Mas lembram que, antes de Aras, tem o favorito do presidente para a corte: André Mendonça, terrivelmente evangélico e cada vez mais próximo de Bolsonaro. Recentemente, Mendonça ganhou ainda mais o chefe: assinou o habeas corpus a favor de Weintraub, o que deixou perplexo ex-ministros da Justiça. No meio jurídico, a avaliação de magistrados e juristas é que Mendonça assinou o HC porque o titular da AGU não teria topado avalizar a estratégia do Planalto, comprando a defesa do ministro da Educação que recentemente pediu a prisão de ministros do STF. Levi tem excelente trânsito com ministros da corte e é muito respeitado pelos colegas na AGU. Para a segunda vaga no STF, com a aposentadoria de Marco Aurélio, em 2021, está na fila um outro fiel aliado: Jorge Oliveira. Para o Planalto, Aras entrou no radar do presidente para a vaga no STF porque agrada Bolsonaro com seu perfil que, para o governo, "questiona" ministros do STF. Aras, sobre a vaga no STF, costuma minimizar o assunto. Disse recentemente, quando perguntado por um interlocutor, que "nunca tinha pensado sobre o assunto" e quer cumprir o seu biênio na PGR. Mas deixa claro que, após o seu biênio, se surgir a oportunidade, estará a postos.
29/05/2020 (00:00)
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